Wuelyton Ferreiro expõe no Instituto dos Pretos Novos

O sítio arqueológico do maior cemitério de escravos das Américas fica logo ali na Gamboa. Descoberto em 1996, quando moradores reformavam uma casa, ele abriga o Instituto dos Pretos Novos, título dado aos escravos recém-chegados da África. Quando eles não aguentavam os maus tratos da viagem, eram enterrados no local.

Além da importância arqueológica, o IPN tem relevância cultural para a cidade do Rio de Janeiro ao promover um resgate da história africana através de cursos, oficinas, de uma biblioteca sobre a temática negra e uma galeria de arte contemporânea.

Neste sábado (02/06), às 16h, o espaço inaugura a exposição “Àwón Ìrun Ìmólè”, do artista visual Wuelyton Ferreiro. A mostra reúne um acervo de esculturas em metal de 20 obras que se dirigem à cultura afro-brasileira em representações da mitologia dos deuses africanos.

No limiar entre a arte sacra e arte contemporânea, o artista elabora um repertório autoral a partir de um conhecimento tradicional apreendido no trato diário dos cultos das religiões de matriz africana. O arranjo e configuração do ferro torcido remetem a um ou mais orixás, adornados com elementos que os caracterizam.

Talvez seja nesta habilidade imaginativa que o difere dos demais trabalhos encontrados no âmbito da arte religiosa. A concepção de suas obras tem uma linguagem única e autoral, em que a fluidez da representação proporciona uma atração aos olhos do observador.

Segundo o curador da exposição, Marco Antonio Teobaldo, para compreender o trabalho de Wuelyton Ferreiro não é necessário ser um iniciado nas religiões de matriz africana ou estudioso do tema, pois a delicadeza apresentada é, acima de tudo, uma ode à cultura negra, que bravamente resiste desde o tempo colonial escravocrata.

A mostra vai até o dia 04 de agosto. A Galeria Pretos Novos de Arte Contemporânea fica na R. Pedro Ernesto, 32/34, Gamboa. Funcionamento: de terça a sexta, de 13h às 19h, e sábado, das 10h às 13h. Entrada gratuita. Telefone: (21) 2516-7089.

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