Territórios da Criação de Niemeyer

Os 110 anos de nascimento de Oscar Niemeyer (1907-2012) serão celebrados na mostra “Territórios da Criação”, que a Pinakotheke Cultural Rio de Janeiro inaugura no dia 9 de novembro, às 19h. Com curadoria de Marcus Lontra e Max Perlingeiro, a exposição reúne um conjunto inédito de desenhos, pinturas, esculturas e peças de mobiliário assinados pelo arquiteto, além de obras de artistas que trabalharam junto com ele em seus emblemáticos projetos, como Alfredo Ceschiatti (1918-1989), Alfredo Volpi (1896-1988), Athos Bulcão (1918-2008), Bruno Giorgi (1905-1993), Candido Portinari (1903-1962), Franz Weissmann (1911-2005), Joaquim Tenreiro (1906-1992), Maria Martins (1894-1973), Roberto Burle Marx (1909-1994) e Tomie Ohtake (1913-2015).

“Ao longo de sua vida, Niemeyer produziu intensamente e afirmou-se não apenas como arquiteto, como a primeira referência estética brasileira reconhecida em todo mundo, mas também como artista e intelectual
respeitado, atuando em várias frentes do conhecimento humano”, afirma Marcus Lontra.

“Ruínas de Brasília” (1964), duas raras pinturas de Niemeyer – uma delas nunca exposta – se juntam a 25 desenhos inéditos, que retratam com seu inconfundível traço a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, a Oca e o Parque Ibirapuera, em São Paulo, o Palácio do Planalto, a Catedral, o Palácio da Alvorada, em Brasília; o Caminho Niemeyer, em Niterói, e a Bolsa de trabalho, em Bobigny, França, entre outros.

A paixão pela figura feminina e suas curvas também estão nos desenhos feitos em sua maioria em caneta hidrográfica sobre papel. Max Perlingeiro lembra que certa vez Niemeyer contou: “Eu tinha 5, 7 anos, e ficava desenhando com o dedo no ar. Minha mãe perguntava: – Menino, o que você está fazendo? Estou desenhando. Eu gosto de desenhar figuras. Eu faço uma escultura, eu desenho no ar. Eu faço um desenho e construo ele no ar”.

“Oscar Niemeyer – Territórios da Criação” terá uma sala especial com retratos do arquiteto feitos pelos reconhecidos fotógrafos Antonio Guerreiro, Bob Wolfenson, Edu Simões, Evandro Teixeira, Juan Esteves, Luiz Garrido, Marcio Scavone, Nana Moraes, Nani Góis, Orlando Brito, Ricardo Fasanello, Rogerio Reis, Vilma Slomp, Walter Carvalho e Walter Firmo. As fotografias, em tamanho 50cm x 60cm, também constituirão uma caixa para colecionador, em tiragem limitada a trinta exemplares.

DIÁLOGO COM OUTROS ARTISTAS
A mostra reúne ainda desenhos, pinturas, esculturas e azulejos criados por grandes artistas para projetos arquitetônicos de Niemeyer, e que se tornaram igualmente símbolos desses espaços. Entre eles, um estudo feito por Volpi em têmpera sobre cartão para a Capela Dom Bosco, em Brasília; um estudo em aquarela e duas provas de azulejos feitos por Portinari para a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha; duas esculturas em pequeno formato como estudo para os “Candangos” e outra para “Meteoro”, de Bruno Giorgi, que estão em Brasília em escala monumental.

Da série de mobiliários feitos em colaboração com a filha Anna Maria (1930-2012), produzidos no Brasil e no exterior, estão a “Poltrona Alta”, que integra a coleção criada para o Palácio do Planalto, e a “Espreguiçadeira Rio”, em madeira e palha.

A exposição reunirá ainda uma série de documentos e publicações, mostrando o Niemeyer designer gráfico. Max Perlingeiro destaca que Niemeyer criou a revista “Módulo”, na década de 1950, dedicada à arte e à arquitetura, publicada até 1964, e retomada por ele em 1975, quando retornou ao Brasil. “Foi a publicação de maior prestígio no meio artístico e da arquitetura. Os mais renomados artistas e fotógrafos da época colaboraram nas suas páginas”, diz.

O curador Marcus Lontra, que conviveu com Niemeyer, afirma que “o conjunto da Pampulha é marco definidor na trajetória artística da modernidade”. “Pela primeira vez na história, o Brasil assume o protagonismo estético de sua época com a construção de elementos formais híbridos que desprezam a ortodoxia formalista e recuperam determinados elementos poéticos e românticos afastados pelo racionalismo”, diz.

“Ela transborda as fronteiras da arquitetura e define-se como elemento seminal do pensamento estético brasileiro ainda hoje predominante”, destaca o curador. “A partir da Pampulha, a obra de Niemeyer cria uma poderosa simbiose com o sentimento brasileiro. E a construção de Brasília a todos impressiona por sua ousadia e por sua criatividade, o que fez Oscar Niemeyer certa vez afirmar: ‘Vocês podem gostar ou não da arquitetura de Brasília, mas vocês nunca viram coisa igual’”.

Na exposição, será exibido continuamente o vídeo “Oscar Niemeyer: a vida é um sopro” (2006, 90’, Gávea Filmes e Pipa Comunicação), de Fabiano Maciel e Sacha, com trilha sonora de João Donato, Berna Ceppas, Kassim e Felipe Poli.

SÁBADOS NA PINAKOTHEKE
Em torno da exposição “Oscar Niemeyer – Territórios da Criação”, a Pinakotheke Cultural realizará aos sábados, das 11h às 13h, atividades gratuitas para  crianças em seu jardim (em caso de chuva, transferimos para a sala de exposição). A programação é:

11/11 – Planejando cidades | Crie sua própria arquitetura com material
reciclado
18/11 – Lançamento do livro “Quando João ficou sem palavras”, de Ana
Helena Rotta Soares e Ilustrações de Paula Delecave |   Contação de histórias e oficina
25/11 – Oficina de Retratos | Se inspire nos retratos realizados por grandes
fotógrafos
02/12 – Apresentação musical e jogos iogues | “As aventuras do menino Iogue”
com Antonio Tigre
9 de dezembro – Cidades em linhas | O contorno das paisagens e arquiteturas de
Niemeyer em linhas
16 de dezembro – Esculturas em fios | Desenhando no ar como Niemeyer

A exposição vai até o dia 16 de dezembro. A Pinakotheke Cultural fica na Rua São Clemente 300, Botafogo. Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, das 10h às 16h. A entrada gratuita.

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