Suzana Queiroga abre mostra no Paço Imperial

A artista visual Suzana Queiroga inaugura hoje a individual “Miradouro”, no Paço Imperial. Com curadoria de Raphael Fonseca, a exposição reúne trabalhos recentes e inéditos, dentre pinturas, esculturas, instalações e vídeos. Nestas obras de grandes dimensões, a artista fala sobre o tempo, o infinito, a paisagem e a cartografia.

A mostra também tem uma parte documental, com estudos, mapas, pesquisas e o processo de
trabalho da artista no ateliê. A mostra comemora os dez anos do projeto “Velofluxo”, em que a pesquisa de Suzana sobre a cartografia, as cidades, os fluxos e o tempo, culminou com voos no balão Velofluxo. Criado pela artista, sua experiência de vôo foi compartilhada com o público no CCBB de Brasília, em 2008. Para este ano, a artista também tem uma exposição programada na Cassia Bomeny Galeria, em Ipanema.

“A exposição traz ao público algo da variedade de mídias com as quais Suzana tem trabalhado. Há trabalhos na linguagem da pintura, área na qual seu trabalho foi inicialmente institucionalizado nos anos 1980 e o qual pesquisa sistematicamente. Há trabalhos realizados na linguagem mais próxima ao desenho e à pesquisa de diferentes materialidades de papel. E há também, por fim, trabalhos em vídeo que exploram a relação entre a documentação da paisagem e sua exploração por meio do desenho e da pintura”, conta o curador.

Logo na entrada, estará uma grande pintura redonda, de 1,5m de diâmetro, em óleo sobre tela, com veios em tons de azul, verde e laranja, que representam os fluxos. Nesta mesma sala, haverá desenhos e sketches, montados sobre a parede, sem moldura, trazendo um pouco da atmosfera do ateliê da artista para o museu.

No salão principal estão cinco pinturas em grande formato, que representam paisagens, não só urbana, mas também aérea e marítima. Nesta mesma sala estará a obra “Nuvem”, composta por 24 papéis vegetais, que recebem banhos de pigmentos em tons de cinza, violeta e rosados.

“A obra tem uma palheta de nuvem carregada, prestes a chover, quando recebe os últimos raios de sol do dia”, explica a artista, que deu os banhos de pigmento com a intenção de “retirar a rigidez do papel, transformando-o em um campo atmosférico”. Este trabalho, de 2013, é inédito e foi criado como base para os vídeos “Mar”, em que a artista vai folheando esses papéis mesclados com imagens de nuvens, e “Cais”, em que os papéis se misturam com ondas do mar.

Também está na exposição o vídeo “Atlas” (2015), em que um olho observa o interior de um globo terrestre em constante rotação. “Esse trabalho é uma cartografia mutante, fala do tempo e do fluxo. Em ‘Atlas’, somos observados e ao mesmo tempo observamos a este olho que oprime e inebria, como num voo ou circunavegação infinita às avessas na cartografia terrestre”, conta a artista.

A grande instalação “Topos” (2017), que ocupa o chão da última sala, é composta por diversos recortes em feltro, que representam as cartografias de várias cidades, reais e imaginárias.

A exposição vai até o dia 27 de maio. O Paço Imperial fica na Praça XV de Novembro, 48 – Centro. Funcionamento: de terça a sexta, das 12h às 19h. Sábado e domingo, das 12h às 18h. Entrada gratuita.

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