Matheus Rocha Pitta expõe no MAM

Neste sábado, Matheus Rocha Pitta inaugura a individual “memória menor” no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, a exposição ocupa o foyer com três estelas. O termo é usado na arqueologia para definir elementos pré-históricos como lajes ou colunas de pedra, que portam inscrições, sejam elas comemorativas, territoriais ou funerais.

Matheus Rocha Pitta_ Estela # 12 (gola), 2014 _Recorte de jornal, concreto, vidro e aço inoxidável_180 x 100 x 5 cm_crédito Matheus Rocha Pitta

tecimentos ocorridos no Rio nos últimos cinco anos. São elas: o caso Amarildo (2013), o adolescente acorrentado a um poste (2014), e um rapaz vestindo farda policial, depois de detido. Os trabalhos foram produzidos especialmente para a mostra.

As três lápides verticais, encostadas na parede do térreo do museu, trazem como inscrições, notícias de jornais sobre três acon

As lápides “são três peças bem simétricas e bem silenciosas, medidativas, e contêm uma violência muito forte dentro delas”, comenta o artista. O processo de criação, que permite que as notícias de jornais estejam visíveis para o público, foi aprimorado a partir de um procedimento que o artista viu em um cemitério de Belo Horizonte, durante o restauro de uma sepultura danificada: as famílias que não podem arcar com lápides de granito ou mármore encomendam tampas de concreto.

Jornais são usados como a base onde será jogado o cimento. Após secar, uma das faces, a que ficará virada para baixo, mantém, como gravura, o jornal que recebeu o concreto. “Pode-se dizer então que usei um procedimento que nasceu de um contexto funerário, arqueológico. Trata-se de um monumento-funerário”, diz Matheus Rocha Pitta.

No texto crítico, os curadores destacam que ao contrário das estelas pré-históricas, feitas em pedra ou bronze, as que Rocha Pitta “realiza, ao contrário, são precárias, material e simbolicamente” “Retiradas de
sua circulação diária, essas imagens, amareladas e frágeis, surgem como fragmentos difíceis de apagar”.

A exposição “memória menor” vai até o dia 22 de abril. O MAM Rio fica na Av. Infante Dom Henrique, 85. Funcionamento: de terça a sexta, das 12h às 18h. Sábado, domingo e feriado, das 11h às 18h. Ingresso: R$14,00 (estudantes e maiores de 60 anos: R$7,00). Amigos do MAM e crianças até 12 anos: entrada gratuita. Quartas-feiras a partir das 12h: entrada gratuita. Domingos ingresso família, para até 5 pessoas: R$14,00.

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