Estação Queer: Luana Muniz, Filha da Lua

Na próxima quarta-feira (06 de junho), às 21h10, acontece mais uma exibição do Estação Queer, com a exibição do filme Luana Muniz, Filha da Lua, dos diretores Leonardo Menezes e Rian Córdova. O Estação Queer é uma sessão especialmente dedicada à temática LGBT, com exibição de filmes e curtas inéditos, clássicos, produções que não foram lançadas comercialmente ou ficaram pouco tem em cartaz.

“Travesti não é bagunça!” A frase gritada de uma das esquinas da Lapa, quando uma travesti bate num possível cliente, ecoou em milhares de televisores via programa “Profissão Repórter” em 2010. A frase virou bordão, meme e até letra de funk. O documentário “Luana Muniz – Filha da Lua” revela os bastidores deste episódio assim como outras polêmicas na vida da Rainha da Lapa, como era conhecida.

Luana saiu de casa na adolescência para se prostituir, modificou seu corpo no momento em que a ditadura botava pra quebrar e trabalhou em diversos países da Europa. Ela não tem papas na língua quando o assunto é drogas, sexo, violência e mercado de prostituição. Além disso, administrava um Casarão na Lapa que hospedava travestis, onde cuidava de comportamento, prevenção, documentação e funerais. Sobretudo, se colocava como um exemplo para as outras, e conseguiu impor respeito, num momento em que travestis são eliminadas brutalmente no país. Não é à toa que era Presidente da Associação de Travestis do Rio de Janeiro.

A última temporada da peça “Gisberta” de Luis Lobianco prestou homenagem à Luana Muniz. A autora Gloria Perez a citou na novela “A Força do Querer”. E, até mesmo, o Padre Fabio de Melo fez um famoso sermão inspirado nela. São muitas as histórias curiosas. Desde a aproximação com a cantora Alcione, por conta do trabalho social e do espiritismo, até fofocas engraçadas passadas nos bastidores dos shows, que envolvem atrizes, como Luma de Oliveira e Elke Maravilha.

A direção fica por conta da dupla Rian Córdova e Leonardo Menezes. Ambos saíram da TV para montar filmes mapeando a cena LGBT. O primeira foi sobre a transformista Lorna Washington no filme “Sobrevivendo a Supostas Perdas” em 2016. “Ela é uma daquelas personagens que vivem uma saga de heroína e a gente torce para que ela vire o jogo e vença no final. Ela é uma das pessoas mais humanas e contundentes que conheci. Espero que a fome de viver dela inspire as pessoas, como me inspirou”, declara Rian.

Luana se definia como uma “puta atriz”, e conciliava as duas profissões. Ela se dividia entre as performances em cabarés e os programas com clientes. Agora é hora de conhecer sua vida mais de perto.

O filme “Luana Muniz – Filha da Lua” conquistou os prêmios de Melhor Longa no Festival de Gênero e Sexualidade do Rio no Cinema 2017 e MixBrasil em São Paulo de Melhor Longa pela Escolha do Público. Em seguida, percorre festivais como o Maranhão na Tela, em São Luis.

O Estação Queer começa às 21h10. O Estação NET Botafogo fica na Rua Voluntários da Pátria, 88 – Botafogo. Ingressos: inteira 22,00 e meia 11,00. O filme tem classificação 18 anos.

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